domingo, 15 de março de 2009

Beija-me,irremediavelmente
como se td o que memória é
não restasse mais daqui p'rá frente

Encontra-me,encontra-te
Somos só nós dois
entediados com o espírito de agora
tão esquecidos,a deixar para depois

Vê-me,através de mil espelhos

desesperados à procura de luz
já não sei qual a forma que seduz
se ver-te,ao desdobrar a vida
se prender-te,como doida varrida

Se te sentasses,ao menos junto ao rio
e visses passar os peixes,em calafrio
me sentirias junto a ti,em feixes
em feixes de luz e de sorriso!

Vem,mergulha nesse mar ao meu encontro
lentamente descobre como me encosto
no teu peito aberto,no meu desgosto
que é a paga,a recompensa pelo que mostro

Despe-me,limpa-me de todo o passado
Atira tudo ao mar,que enrolado
leva com ele os peixes pela maré
que tu vês passar,entediado
sem saber que uso toda a minha fé!

Mergulha-me a cabeça nesse vento
e então,por magia, eu adormeço
não penso mais em ti,no desespero
penso em mim, e adormeço

Mas quero,quero pintar-me de mil cores
Quero elevar-me por entre amores
Quero que me dispas!
Despe,despe e olha-me...

Sentes?
Sentes como tudo se compõe?
Como surgem as tintas no meu corpo
Como se desenha cada traço do meu rosto
Como nadam os peixes por mim
Como me encontraste
e te encontraste,por fim!

Catarina Miguel