terça-feira, 5 de maio de 2009


E o tic tac do relógio alucinante
corria pelo quarto fora,apanhando,
assaltando as horas da verdade
foi como se a chuva batesse forte
nas vidraças, balbuciante e …
sentiu-se o cheiro a morte,
a desgosto e a saudade…


No quarto escuro perpetuou o azul mágico de ansiedade
as cores voando, endiabradas, as brechas soltas no telhado
e quando o mar saltou repentino, de susto e maldade
as cores sentaram-se no parapeito enamorado
pela noite fora, com o mar e as estrelas,
foram contando…
mil folhas de árvores, dez dúzias de pernetas…

Como não correm pernetas pelas praias
nem o mar se assustou, nem as brechas mais abriram
a chuva bateu no vento, continuada….
o parapeito, as cores e a rapariga enamorada
lá estavam sós, contando os galhos e não viam nada
Não viam senão pernetas correr ao som das ondas
e gaviões saltando e adormecendo …
o vento a…
a passar-lhe pelas asas e as pegadas das moças


moças desvairadas , num correrio até as rochas
e os gaviões voando, as ondas saltando e a rapariga
no parapeito a adormecer e a chuva sempre a escorrer
pela tez de cor…
encoberta pelo tic tac roedor
anoitecendo o quarto, a cozinha e o corredor…`
corre, corre, gavião, corre a moça pela mão…
a chuva cá… e as moças, descalças, lá

Catarina Miguel