segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Magia.flores.embrieguez….sonhos.multifacetados.embrenhados.em.mim
Insaciável…guardada.em.casacos.de.outono.ao.ritmo.das.folhas.rodopiantes.pelo.chão..
Sou.assim…irrequieta.a.pensar.em.tudo…pontas,luz,maquilhagem,tule.colorido,fundo.negro,um.flash.de.nenhures….
um.arrepio….a
.face.queimada.de.tanto.sol.e.lume..mãos.enfeitiçadas.lançadas.pelo.feixe.do.luar…e.algo.ali….que.me.leva.sempre.por.caminhos.estreitos.e.inseguros…mas.lá.vou..
pontas.de.pés,vestido.negro,rosa.escarlate..verdadeira.roxanne.endiabrada..pontes,túneis.sem.luz.e.cachoeiras..misto.de.verde.com.azul…gelo….tanto.gelo.de.mil.cores..
sento-me…À.volta.as.ravinas…à.frente.um.lago…..escorre.água.barulhenta…olhos.para.o.sol,mãos.prostradas.no.chão…..
pétalas.na.água,feiches.de.luz,magia,flores,embrieguez!

terça-feira, 5 de maio de 2009


E o tic tac do relógio alucinante
corria pelo quarto fora,apanhando,
assaltando as horas da verdade
foi como se a chuva batesse forte
nas vidraças, balbuciante e …
sentiu-se o cheiro a morte,
a desgosto e a saudade…


No quarto escuro perpetuou o azul mágico de ansiedade
as cores voando, endiabradas, as brechas soltas no telhado
e quando o mar saltou repentino, de susto e maldade
as cores sentaram-se no parapeito enamorado
pela noite fora, com o mar e as estrelas,
foram contando…
mil folhas de árvores, dez dúzias de pernetas…

Como não correm pernetas pelas praias
nem o mar se assustou, nem as brechas mais abriram
a chuva bateu no vento, continuada….
o parapeito, as cores e a rapariga enamorada
lá estavam sós, contando os galhos e não viam nada
Não viam senão pernetas correr ao som das ondas
e gaviões saltando e adormecendo …
o vento a…
a passar-lhe pelas asas e as pegadas das moças


moças desvairadas , num correrio até as rochas
e os gaviões voando, as ondas saltando e a rapariga
no parapeito a adormecer e a chuva sempre a escorrer
pela tez de cor…
encoberta pelo tic tac roedor
anoitecendo o quarto, a cozinha e o corredor…`
corre, corre, gavião, corre a moça pela mão…
a chuva cá… e as moças, descalças, lá

Catarina Miguel

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Odeio,odeio enquanto dormes
enquanto andas e te encolhes
com a chuva a cair-te no casaco
a escorrer-te pelo antebraço

Odeio,odeio quando penso que te amo
quando ouço a tua voz que vai quebrando
o brando do gelo no meu coração

Mas odeio,odeio e choro o choro
Sinto a mágoa da saudade fria
já a percorrer todo o meu corpo pequenino
Vejo as estrelas apagar-se noite e dia
Vejo o mar encolher-se de mansinho
e odeio,odeio o teu olhar profundo
entrando por mim, devagarinho
Entrando e apertando-me contra o peito
como sempre fizeste num arrepio

Odeio ainda a varanda lá no alto
a cozinha, os livros, o pinheiro
os sonhos mágicos,a reticência no desejo
as perguntas e os pensamentos de anseio
(fazem voar o Peter Pan
que na neve ve o seu defeito)

E as horas que passámos
sem eu saber destes enganos
que a minha alma me tramava
Já lá vão as ditas,com os anos

Os anos a passar e eu odeio
Olho a janela e suspiro
Poiso a mão, devagar,no colo
Fecho os olhos e respiro
Volto a cabeça para o lado em que estavas
Caem estrelas de saudade,faço um molho!
No tempo,quero que te desfaças
mas depois quero a cabeça no meu colo
Para fazer festas só a voar
para te ver adormecer a sonhar
E então odeio como me sinto
As estrelas caem,já não há neve
O Peter Pan voa e o coração ferve!

Catarina Miguel

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Certo,incerto,tudo inferno
Gosto do calor que me apaga
Gosto de ver como dançava
Quero que tudo seja certo!

Prateleiras de livros inconstantes
baloiçam por cima da minha cabeça
Esqueço tudo,tornam-se alucinantes
Já nada consigo que se mexa!

Olho a luz,que quebrada
atravessa a pobre frincha desconexa
Entra por ali,de enervada
e grita-me,clama-me inveja

Continuam as prateleiras a dançar
tento olhar e nao há luar
Só eu e o pobre do meu quarto
eu,e o triste do meu chorar!

Queria ser um doce trago
Satisfazer-me a mim mesma
Não queria ver como desfaço
a pouca alegria de quase lesma!

Andando devagar,subindo prateleiras
Sentir o corpo cheio de meras ideias
Deixar a manhã entrar por aqui dentro
e levar-me,levar-me todo o desalento...

Catarina Miguel
Porque finjo
quando toda a solidão
se apaga do meu rosto incerto
já nem certo sinto o senão
que me oferece esta ilusão!

Oh!Ilusão pura em que vivo
razão da minha luz encandeante
Já não choro,já não grito
mas sento-me nesta luz ofuscante

Já não o sinto chegar por entre as árvores
que cobrem as ruas mirabulantes
e gozam com os candeeiros amantes
cobrindo a rua de solidão divina

A noite vem,às vezes a gritar
Deixa de se ouvir os pássaros chilrear
tudo se apaga e ofusca na memória
Ó rua tristonha e estranha
Ó alma indecisa no querer
Leva-me este corpo a adormecer...

Catarina Miguel
Lá ia o tejo a todo o vapor
na água a luz,com clamor
chamava pela rapariga que,endiabrada
soltava choros,risos , gargalhada

Passava um barco e ela corria
saltava um peixe e ela,de amiga
levantava-se do pequeno banco
e punha-se na varanda,erguida

Batia palmas quando caiam estrelas
cantava,dia e noite,lá sentada
à espera ,sem estar calada
pobre rapariga,muito cantava

Viu chegar um dia,formosíssimo
um músico muito desolado
perguntou-lhe se tinha visto estrelas
Não lhe respondeu,ficou amuado

A rapariga sizuda ficou
nem sequer lhe olhou a cara
pôs-se de pé e respirou,
deu dois passos,de amuada

Foi pelo mundo atrás do músico
e o músico nunca falou
trazia no ouvido um búzio
mas nunca,nunca cantou

Num dia a rapariga sentou-se
Então ele voltou atrás
com medo que ela gritasse,
Sentou-se,qual incapaz

Passaram dias ali
os pés na estrada
na relva,a cabeça
então olharam com graça
e descobriram a incerteza

Deram as mãos e perceberam
não andaram mais,não se cansaram
foram até ao tejo e beberam..
Tanto beberam,que ali ficaram

Agora já os chama aos dois o tejo
Já correm quando vêem um barco
Já se erguem quando salta um peixe
Já se entendem,já se deixaram..

Catarina Miguel

domingo, 26 de abril de 2009

Cheiro a Morte enegrecida pela noite
e a tormento que lhe vem às costas
Pelas serras vem ela e a foice
vem às escuras ,desce as encostas
Não perdoa nem um ser adormecido
nem a lágrima que lhe escorre pela tez
-Já brincaste,já correste meu menino
Agora é hora, chegou a tua vez...`
E o menino sem nada perceber
olhou as estrelas , o céu e o mar
sentou-se de pernas à chinês
e para a Morte se pôs a olhar...

A Morte não perdoa aos velhos
nem a novos que cometam algo mau
mas ao ver o pequeno ali sentado
sentou-se também,poisou o pau
O menino apontou-lhe para a lua
e a morte levou o olhar até ela
Tanto tempo a ficou a admirar
que de mansinho sentiu-se acalmar
Olhou depois em volta,à procura
de constelações, de navios do espaço
sentiu um bocejo pequenino
E o pequeno caíu no seu regaço.

Lá ficou a Morte embevecida
a tomar conta da criança
Que é da noite enegrecida?
A noite de toda a matança?
Agradeçam ao pequenino,
que teve coragem e esperança!

Catarina Miguel
E as mãos percorrendo todo o corpo
num desenfriar alternado,louco
sozinho àquela hora da noite e
com o gemido,a sofridão, o choro
veio a euforia, o despreocupar
tudo se foi a desenrolar e foi
foi como a noite doida do fim do século
em que as luzes se apagam e há sexo

As luzes que no ar vão pairando
O cheiro,o odor e as nuvens
As luzes outra vez enlouquecidas
embriagadas e entorpecidas
nada mais viram que o corpo
a desfazer-se dentro de um copo

Gritos,gritos e as,as...
luzes lá...a vibrar, o ferro
a madeira, o chão e o mar
Como se tudo se entretivesse com
a vida a decorrer,o parvo do saber
E eles ali,irremediavelmente
um na mão do outro
tudo a passar,indiferente...

Foi agora , de repente
que o corpo se estendeu
estendeu e depois morreu
Mas não aquele morrer entediado
E no sorriso um olhar
E no corpo o suor
Já foi e vai a andar!

Catarina Miguel

domingo, 15 de março de 2009

Beija-me,irremediavelmente
como se td o que memória é
não restasse mais daqui p'rá frente

Encontra-me,encontra-te
Somos só nós dois
entediados com o espírito de agora
tão esquecidos,a deixar para depois

Vê-me,através de mil espelhos

desesperados à procura de luz
já não sei qual a forma que seduz
se ver-te,ao desdobrar a vida
se prender-te,como doida varrida

Se te sentasses,ao menos junto ao rio
e visses passar os peixes,em calafrio
me sentirias junto a ti,em feixes
em feixes de luz e de sorriso!

Vem,mergulha nesse mar ao meu encontro
lentamente descobre como me encosto
no teu peito aberto,no meu desgosto
que é a paga,a recompensa pelo que mostro

Despe-me,limpa-me de todo o passado
Atira tudo ao mar,que enrolado
leva com ele os peixes pela maré
que tu vês passar,entediado
sem saber que uso toda a minha fé!

Mergulha-me a cabeça nesse vento
e então,por magia, eu adormeço
não penso mais em ti,no desespero
penso em mim, e adormeço

Mas quero,quero pintar-me de mil cores
Quero elevar-me por entre amores
Quero que me dispas!
Despe,despe e olha-me...

Sentes?
Sentes como tudo se compõe?
Como surgem as tintas no meu corpo
Como se desenha cada traço do meu rosto
Como nadam os peixes por mim
Como me encontraste
e te encontraste,por fim!

Catarina Miguel