segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lá ia o tejo a todo o vapor
na água a luz,com clamor
chamava pela rapariga que,endiabrada
soltava choros,risos , gargalhada

Passava um barco e ela corria
saltava um peixe e ela,de amiga
levantava-se do pequeno banco
e punha-se na varanda,erguida

Batia palmas quando caiam estrelas
cantava,dia e noite,lá sentada
à espera ,sem estar calada
pobre rapariga,muito cantava

Viu chegar um dia,formosíssimo
um músico muito desolado
perguntou-lhe se tinha visto estrelas
Não lhe respondeu,ficou amuado

A rapariga sizuda ficou
nem sequer lhe olhou a cara
pôs-se de pé e respirou,
deu dois passos,de amuada

Foi pelo mundo atrás do músico
e o músico nunca falou
trazia no ouvido um búzio
mas nunca,nunca cantou

Num dia a rapariga sentou-se
Então ele voltou atrás
com medo que ela gritasse,
Sentou-se,qual incapaz

Passaram dias ali
os pés na estrada
na relva,a cabeça
então olharam com graça
e descobriram a incerteza

Deram as mãos e perceberam
não andaram mais,não se cansaram
foram até ao tejo e beberam..
Tanto beberam,que ali ficaram

Agora já os chama aos dois o tejo
Já correm quando vêem um barco
Já se erguem quando salta um peixe
Já se entendem,já se deixaram..

Catarina Miguel

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