domingo, 26 de abril de 2009

Cheiro a Morte enegrecida pela noite
e a tormento que lhe vem às costas
Pelas serras vem ela e a foice
vem às escuras ,desce as encostas
Não perdoa nem um ser adormecido
nem a lágrima que lhe escorre pela tez
-Já brincaste,já correste meu menino
Agora é hora, chegou a tua vez...`
E o menino sem nada perceber
olhou as estrelas , o céu e o mar
sentou-se de pernas à chinês
e para a Morte se pôs a olhar...

A Morte não perdoa aos velhos
nem a novos que cometam algo mau
mas ao ver o pequeno ali sentado
sentou-se também,poisou o pau
O menino apontou-lhe para a lua
e a morte levou o olhar até ela
Tanto tempo a ficou a admirar
que de mansinho sentiu-se acalmar
Olhou depois em volta,à procura
de constelações, de navios do espaço
sentiu um bocejo pequenino
E o pequeno caíu no seu regaço.

Lá ficou a Morte embevecida
a tomar conta da criança
Que é da noite enegrecida?
A noite de toda a matança?
Agradeçam ao pequenino,
que teve coragem e esperança!

Catarina Miguel

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