quarta-feira, 29 de abril de 2009

Odeio,odeio enquanto dormes
enquanto andas e te encolhes
com a chuva a cair-te no casaco
a escorrer-te pelo antebraço

Odeio,odeio quando penso que te amo
quando ouço a tua voz que vai quebrando
o brando do gelo no meu coração

Mas odeio,odeio e choro o choro
Sinto a mágoa da saudade fria
já a percorrer todo o meu corpo pequenino
Vejo as estrelas apagar-se noite e dia
Vejo o mar encolher-se de mansinho
e odeio,odeio o teu olhar profundo
entrando por mim, devagarinho
Entrando e apertando-me contra o peito
como sempre fizeste num arrepio

Odeio ainda a varanda lá no alto
a cozinha, os livros, o pinheiro
os sonhos mágicos,a reticência no desejo
as perguntas e os pensamentos de anseio
(fazem voar o Peter Pan
que na neve ve o seu defeito)

E as horas que passámos
sem eu saber destes enganos
que a minha alma me tramava
Já lá vão as ditas,com os anos

Os anos a passar e eu odeio
Olho a janela e suspiro
Poiso a mão, devagar,no colo
Fecho os olhos e respiro
Volto a cabeça para o lado em que estavas
Caem estrelas de saudade,faço um molho!
No tempo,quero que te desfaças
mas depois quero a cabeça no meu colo
Para fazer festas só a voar
para te ver adormecer a sonhar
E então odeio como me sinto
As estrelas caem,já não há neve
O Peter Pan voa e o coração ferve!

Catarina Miguel

Sem comentários:

Enviar um comentário