Odeio,odeio enquanto dormes
enquanto andas e te encolhes
com a chuva a cair-te no casaco
a escorrer-te pelo antebraço
Odeio,odeio quando penso que te amo
quando ouço a tua voz que vai quebrando
o brando do gelo no meu coração
Mas odeio,odeio e choro o choro
Sinto a mágoa da saudade fria
já a percorrer todo o meu corpo pequenino
Vejo as estrelas apagar-se noite e dia
Vejo o mar encolher-se de mansinho
e odeio,odeio o teu olhar profundo
entrando por mim, devagarinho
Entrando e apertando-me contra o peito
como sempre fizeste num arrepio
Odeio ainda a varanda lá no alto
a cozinha, os livros, o pinheiro
os sonhos mágicos,a reticência no desejo
as perguntas e os pensamentos de anseio
(fazem voar o Peter Pan
que na neve ve o seu defeito)
E as horas que passámos
sem eu saber destes enganos
que a minha alma me tramava
Já lá vão as ditas,com os anos
Os anos a passar e eu odeio
Olho a janela e suspiro
Poiso a mão, devagar,no colo
Fecho os olhos e respiro
Volto a cabeça para o lado em que estavas
Caem estrelas de saudade,faço um molho!
No tempo,quero que te desfaças
mas depois quero a cabeça no meu colo
Para fazer festas só a voar
para te ver adormecer a sonhar
E então odeio como me sinto
As estrelas caem,já não há neve
O Peter Pan voa e o coração ferve!
Catarina Miguel
quarta-feira, 29 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Certo,incerto,tudo inferno
Gosto do calor que me apaga
Gosto de ver como dançava
Quero que tudo seja certo!
Prateleiras de livros inconstantes
baloiçam por cima da minha cabeça
Esqueço tudo,tornam-se alucinantes
Já nada consigo que se mexa!
Olho a luz,que quebrada
atravessa a pobre frincha desconexa
Entra por ali,de enervada
e grita-me,clama-me inveja
Continuam as prateleiras a dançar
tento olhar e nao há luar
Só eu e o pobre do meu quarto
eu,e o triste do meu chorar!
Queria ser um doce trago
Satisfazer-me a mim mesma
Não queria ver como desfaço
a pouca alegria de quase lesma!
Andando devagar,subindo prateleiras
Sentir o corpo cheio de meras ideias
Deixar a manhã entrar por aqui dentro
e levar-me,levar-me todo o desalento...
Catarina Miguel
Gosto do calor que me apaga
Gosto de ver como dançava
Quero que tudo seja certo!
Prateleiras de livros inconstantes
baloiçam por cima da minha cabeça
Esqueço tudo,tornam-se alucinantes
Já nada consigo que se mexa!
Olho a luz,que quebrada
atravessa a pobre frincha desconexa
Entra por ali,de enervada
e grita-me,clama-me inveja
Continuam as prateleiras a dançar
tento olhar e nao há luar
Só eu e o pobre do meu quarto
eu,e o triste do meu chorar!
Queria ser um doce trago
Satisfazer-me a mim mesma
Não queria ver como desfaço
a pouca alegria de quase lesma!
Andando devagar,subindo prateleiras
Sentir o corpo cheio de meras ideias
Deixar a manhã entrar por aqui dentro
e levar-me,levar-me todo o desalento...
Catarina Miguel
Porque finjo
quando toda a solidão
se apaga do meu rosto incerto
já nem certo sinto o senão
que me oferece esta ilusão!
Oh!Ilusão pura em que vivo
razão da minha luz encandeante
Já não choro,já não grito
mas sento-me nesta luz ofuscante
Já não o sinto chegar por entre as árvores
que cobrem as ruas mirabulantes
e gozam com os candeeiros amantes
cobrindo a rua de solidão divina
A noite vem,às vezes a gritar
Deixa de se ouvir os pássaros chilrear
tudo se apaga e ofusca na memória
Ó rua tristonha e estranha
Ó alma indecisa no querer
Leva-me este corpo a adormecer...
Catarina Miguel
quando toda a solidão
se apaga do meu rosto incerto
já nem certo sinto o senão
que me oferece esta ilusão!
Oh!Ilusão pura em que vivo
razão da minha luz encandeante
Já não choro,já não grito
mas sento-me nesta luz ofuscante
Já não o sinto chegar por entre as árvores
que cobrem as ruas mirabulantes
e gozam com os candeeiros amantes
cobrindo a rua de solidão divina
A noite vem,às vezes a gritar
Deixa de se ouvir os pássaros chilrear
tudo se apaga e ofusca na memória
Ó rua tristonha e estranha
Ó alma indecisa no querer
Leva-me este corpo a adormecer...
Catarina Miguel
Lá ia o tejo a todo o vapor
na água a luz,com clamor
chamava pela rapariga que,endiabrada
soltava choros,risos , gargalhada
Passava um barco e ela corria
saltava um peixe e ela,de amiga
levantava-se do pequeno banco
e punha-se na varanda,erguida
Batia palmas quando caiam estrelas
cantava,dia e noite,lá sentada
à espera ,sem estar calada
pobre rapariga,muito cantava
Viu chegar um dia,formosíssimo
um músico muito desolado
perguntou-lhe se tinha visto estrelas
Não lhe respondeu,ficou amuado
A rapariga sizuda ficou
nem sequer lhe olhou a cara
pôs-se de pé e respirou,
deu dois passos,de amuada
Foi pelo mundo atrás do músico
e o músico nunca falou
trazia no ouvido um búzio
mas nunca,nunca cantou
Num dia a rapariga sentou-se
Então ele voltou atrás
com medo que ela gritasse,
Sentou-se,qual incapaz
Passaram dias ali
os pés na estrada
na relva,a cabeça
então olharam com graça
e descobriram a incerteza
Deram as mãos e perceberam
não andaram mais,não se cansaram
foram até ao tejo e beberam..
Tanto beberam,que ali ficaram
Agora já os chama aos dois o tejo
Já correm quando vêem um barco
Já se erguem quando salta um peixe
Já se entendem,já se deixaram..
Catarina Miguel
na água a luz,com clamor
chamava pela rapariga que,endiabrada
soltava choros,risos , gargalhada
Passava um barco e ela corria
saltava um peixe e ela,de amiga
levantava-se do pequeno banco
e punha-se na varanda,erguida
Batia palmas quando caiam estrelas
cantava,dia e noite,lá sentada
à espera ,sem estar calada
pobre rapariga,muito cantava
Viu chegar um dia,formosíssimo
um músico muito desolado
perguntou-lhe se tinha visto estrelas
Não lhe respondeu,ficou amuado
A rapariga sizuda ficou
nem sequer lhe olhou a cara
pôs-se de pé e respirou,
deu dois passos,de amuada
Foi pelo mundo atrás do músico
e o músico nunca falou
trazia no ouvido um búzio
mas nunca,nunca cantou
Num dia a rapariga sentou-se
Então ele voltou atrás
com medo que ela gritasse,
Sentou-se,qual incapaz
Passaram dias ali
os pés na estrada
na relva,a cabeça
então olharam com graça
e descobriram a incerteza
Deram as mãos e perceberam
não andaram mais,não se cansaram
foram até ao tejo e beberam..
Tanto beberam,que ali ficaram
Agora já os chama aos dois o tejo
Já correm quando vêem um barco
Já se erguem quando salta um peixe
Já se entendem,já se deixaram..
Catarina Miguel
domingo, 26 de abril de 2009
Cheiro a Morte enegrecida pela noite
e a tormento que lhe vem às costas
Pelas serras vem ela e a foice
vem às escuras ,desce as encostas
Não perdoa nem um ser adormecido
nem a lágrima que lhe escorre pela tez
-Já brincaste,já correste meu menino
Agora é hora, chegou a tua vez...`
E o menino sem nada perceber
olhou as estrelas , o céu e o mar
sentou-se de pernas à chinês
e para a Morte se pôs a olhar...
A Morte não perdoa aos velhos
nem a novos que cometam algo mau
mas ao ver o pequeno ali sentado
sentou-se também,poisou o pau
O menino apontou-lhe para a lua
e a morte levou o olhar até ela
Tanto tempo a ficou a admirar
que de mansinho sentiu-se acalmar
Olhou depois em volta,à procura
de constelações, de navios do espaço
sentiu um bocejo pequenino
E o pequeno caíu no seu regaço.
Lá ficou a Morte embevecida
a tomar conta da criança
Que é da noite enegrecida?
A noite de toda a matança?
Agradeçam ao pequenino,
que teve coragem e esperança!
Catarina Miguel
e a tormento que lhe vem às costas
Pelas serras vem ela e a foice
vem às escuras ,desce as encostas
Não perdoa nem um ser adormecido
nem a lágrima que lhe escorre pela tez
-Já brincaste,já correste meu menino
Agora é hora, chegou a tua vez...`
E o menino sem nada perceber
olhou as estrelas , o céu e o mar
sentou-se de pernas à chinês
e para a Morte se pôs a olhar...
A Morte não perdoa aos velhos
nem a novos que cometam algo mau
mas ao ver o pequeno ali sentado
sentou-se também,poisou o pau
O menino apontou-lhe para a lua
e a morte levou o olhar até ela
Tanto tempo a ficou a admirar
que de mansinho sentiu-se acalmar
Olhou depois em volta,à procura
de constelações, de navios do espaço
sentiu um bocejo pequenino
E o pequeno caíu no seu regaço.
Lá ficou a Morte embevecida
a tomar conta da criança
Que é da noite enegrecida?
A noite de toda a matança?
Agradeçam ao pequenino,
que teve coragem e esperança!
Catarina Miguel
E as mãos percorrendo todo o corpo
num desenfriar alternado,louco
sozinho àquela hora da noite e
com o gemido,a sofridão, o choro
veio a euforia, o despreocupar
tudo se foi a desenrolar e foi
foi como a noite doida do fim do século
em que as luzes se apagam e há sexo
As luzes que no ar vão pairando
O cheiro,o odor e as nuvens
As luzes outra vez enlouquecidas
embriagadas e entorpecidas
nada mais viram que o corpo
a desfazer-se dentro de um copo
Gritos,gritos e as,as...
luzes lá...a vibrar, o ferro
a madeira, o chão e o mar
Como se tudo se entretivesse com
a vida a decorrer,o parvo do saber
E eles ali,irremediavelmente
um na mão do outro
tudo a passar,indiferente...
Foi agora , de repente
que o corpo se estendeu
estendeu e depois morreu
Mas não aquele morrer entediado
E no sorriso um olhar
E no corpo o suor
Já foi e vai a andar!
Catarina Miguel
num desenfriar alternado,louco
sozinho àquela hora da noite e
com o gemido,a sofridão, o choro
veio a euforia, o despreocupar
tudo se foi a desenrolar e foi
foi como a noite doida do fim do século
em que as luzes se apagam e há sexo
As luzes que no ar vão pairando
O cheiro,o odor e as nuvens
As luzes outra vez enlouquecidas
embriagadas e entorpecidas
nada mais viram que o corpo
a desfazer-se dentro de um copo
Gritos,gritos e as,as...
luzes lá...a vibrar, o ferro
a madeira, o chão e o mar
Como se tudo se entretivesse com
a vida a decorrer,o parvo do saber
E eles ali,irremediavelmente
um na mão do outro
tudo a passar,indiferente...
Foi agora , de repente
que o corpo se estendeu
estendeu e depois morreu
Mas não aquele morrer entediado
E no sorriso um olhar
E no corpo o suor
Já foi e vai a andar!
Catarina Miguel
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